quinta-feira, 11 de março de 2010

Resquícios dos risos de outrora

A forma como tenho acordado, diariamente, para a realidade que assombra os últimos tempos da minha vida, é estonteante. Não me ensinaram a ser assim. Não me ensinaram a intrumentalizar as amizades e adequa-las as necessidades que sentimos. Não me ensinaram que a amizade viveria da intolerância, do cinismo, da falsidade, da falta de cumplicidade, abraços e afagos.
Caso existisse um regime juridico que regulasse estas relações, haveria com toda a certeza, um artigo algures, que ao detectar tamanhas irregularidades tornaria a amizade inválida. Aliás, nestes casos tornaria a amizade inexistente: na realidade ela não produz quaisquer efeitos entre os sujeitos, e, em abono da verdade... nunca existiu.
Ensinaram-me que amizade era um relação especial de amor. Era tolerância. Ensinaram-me que os amigos não apereciam apenas na altura das festas, mas sim, que eram aqueles que chegariam primeiro quando alguma coisa corresse mal; ensinaram-me que nos afagariam a cabeça e nos dariam um ombro para afogar as mágoas; ensinaram-me que, caso vissem que estavamos a fazer asneiras, os verdadeiros amigos, nos diriam, nos abririam os olhos e mostravam a realidade que insistiriamos não querer ver.
Tudo aquilo que me ensinaram, é precisamente o oposto do que a que, pontualmente, tenho assistido. Os amigos já não existem, ou já não existem como me ensinaram. Agora o que existem são relações de conveniencia, meros conhecidos que trocam palavras e aparências de cumplicidade mas que, nos momentos em que uns e outros precisam, nao se procuram, nem se oferecem, a ajudar. Ensinaram-me que os verdadeiros amigos, mesmo que não concordassem com todas as nossas opções, as respeitariam; trocariam pontos de vista e tentariam entender o porquê de determinadas atitudes e decisões. Acima de tudo, cresceriam juntos.
Atenta nas minhas amizades, sei exactamente a quem confiar a parte de mim que nem todos conhecem; sei com quem posso partilhar momentos e partilhar-me; sei que tenho amigos verdadeiros e que eles são poucos. Mas são apenas aqueles em quem confio. A amizade é uma relação de amor, lealdade, sinceridade, aprendizagem, conhecimento, respeito, crescimento, segurança.
A amizade é uma pequena planta, que tem que ser cuidada, regada, tratada... ajudada a crescer. E o que existe a minha volta, são pequenas aparências de jardins, cheios de fertilizantes, cujas plantas não dão flor e, muito pelo contrário, começaram lentamente a murchar, restando apenas folhas secas, soltas e caidas. Resquícios de momentos e risos, restos de um inicio iluminado...