quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Tempo de Aprender

"Depois de algum tempo aprendes a diferença, a subtil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E aprendes que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começas a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas.
Acabas por aceitar as derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança. E aprendes a construir todas as tuas estradas de hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair ao meio em vão.

Depois de algum tempo aprendes que o sol queima se te expuseres a ele por muito tempo. Aprendes que não importa o quanto tu te importas, simplesmente por-que algumas pessoas não se importam... E aceitas que apesar da bondade que reside numa pessoa, ela poderá ferir-te de vez em quando e precisas perdoá-la por isso.

Aprendes que falar pode aliviar dores emocionais. Descobres que se leva anos para se construir a confiança e apenas segundos para destruí-la, e que poderás fazer coisas das quais te arrependerás para o resto da vida.

Aprendes que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que tens na vida, mas quem tens na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. Aprendes que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam, percebes que o teu melhor amigo e tu podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.

Descobres que as pessoas com quem tu mais te importas são tiradas da tua vida muito depressa, por isso devemos sempre despedir-nos das pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos. Aprendes que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começas a aprender que não te deves comparar com os outros, mas com o melhor que podes ser.

Descobres que se leva muito tempo para se tomar a pessoa que se quer ser, e que o tempo é curto. Aprendes que, ou controlas os teus actos ou eles te controlarão e que ser flexível nem sempre significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, existem sempre os dois lados. Aprendes que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as consequências. Aprendes que paciência requer muita prática.

Descobres que algumas vezes a pessoa que esperas que te empurre, quando cais, é uma das poucas que te ajuda a levantar. Aprendes que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que tiveste e o que aprendeste com elas do que com quantos aniversários já comemoraste. Aprendes que quando estás com raiva tens o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel.

Descobres que só porque alguém não te ama da forma que desejas, não significa que esse alguém não te ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso. Aprendes que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes tens que aprender a perdoar-te a ti mesmo. Aprendes que com a mesma severidade com que julgas, poderás ser em algum momento condenado. Aprendes que não importa em quantos pedaços o teu coração foi partido, o mundo não pára para que tu o consertes.

Aprendes que o tempo não é algo que possa voltar para trás. E aprendes que realmente podes suportar mais... que és realmente forte, e que podes ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que tu tens valor diante da vida! As nossas dádivas são traidoras e fazem-nos perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar.”  William Shakespear

O tempo urge, é necessário que nos adaptemos à mutação constante sem nunca nos esquecermos de quem somos, na verdade. E, é necessário que, no meio desta mudança, tenhamos a capacidade de aprender com os erros que vamos cometendo, inevitavelmente, ao longo da vida; e, que peguemos nos exemplos que conhecemos - e essencialmente nos nossos, para nos tornarmos seres melhores e para que o mundo não se assemelhe (como cada vez mais se nota) a uma grande bola azul que gira desgovernada na tela negra, brilhante, sem rumo, sem cuidados, sem consciência. É tempo de lutar, cada vez mais, pelos nossos ideiais, pelo mundo - por nós próprios!
 
Votos de um Feliz Natal!

sábado, 19 de dezembro de 2009

Mudar. Agir. Gritar. Acreditar.

Quem és tu, afinal? Uma marioneta? Um ser instrumentalizado, funcionalmente inapto, desprovido de lógica, raciocínio ou locomoção? Quem és tu, senão um fantoche nas mãos dos seres mandantes? Quem és tu que não sente a revolta, a injustiça? ´Quem és tu, que nem entendes a força dos que lutam simplesmente porque não te queres envolver?
BASTA! Solta-te das amarras, da imagem que insistes em querer que os outros tenham de ti. Livra-te do cinismo dos circunstancialismos. A MUDANÇA quer-se! É necessária. É útil, sobretudo para ti. Essencialmente para ti. E contigo virão outros. Contigo virão todos os outros descontentes, insatisfeitos, amedrontados, que pegaram no teu exemplo e fizeram-no a base, tornando a realidade em algo mais justo. AGE! Pega na força que tens e desconheces. Dá o exemplo; influência os demais, que como tu tinham a existência adormecida, condicionada por vontades alheias, fúteis e desnecessárias.
O tempo urge. GRITA! Insurge-te contra o que achas que está mal, insurge-te contra os que dominam e agem, não em prol do interesse geral, mas para fazer face a interesses meramente particulares. Podes não conseguir, mas a culpa da sociedade se manter adormecida, de se quedar neste irracional e estúpido conforto do "deixa andar" já não é tua. Tu tentaste! Podes não ter conseguido mudar nada, mas mudaste-te; ajudaste muitos outros, todos os que mudaram contigo. Tu podes consegui-lo. Basta ACREDITAR!

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Eu e o chocolate quente



Hoje, embrulhei-me numa manta branca, bem fofa, sentei-me cá fora... eu e o meu chocolate quente. E ficamos os dois, embebidos na preguiça, embebidos na vontade que nos atormenta e ao mesmo tempo nos trava, embebidos neste sentimento indecifrável que nos assola e nos faz temer algo que não sabemos ao certo o que é. Ficamos os dois, a fintar o horizonte, a linha onde o mar e o céu se acham, a linha que sem querer nos fez quedar um diante do outro.
A linha do destino.
Longinqua, a gigante bola laranja, só se mostra pela metade, colorindo tudo em seu redor. E, enquanto o espectaculo não termina, ficamos os dois, juntos, aquecidos um no outro, embrulhados na fofa manta branca, a desfrutar do segredar das ondas ao rebentarem na areia. Eu e o meu chocolate quente.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

amor, liberdade, realidade


Caminho pela beira-mar, de olhos postos no horizonte, procuro-te em mim. A cada passo, a tua ausência urge.

Chove incessantemente. Cada gota que pretende reactivar os meus sentidos, que me pretende acordar, embebe-me na dormência da saudade que se avizinha. Ainda nem foste e tudo me foge. Busco no horizonte, como fiz outrora, algo que te traga de novo, algo que te aproxime do vazio que deixas a cada partida.

Queria ser livre para amar: não apenas a ti, mas o mundo. Queria ser livre o suficiente para buscar o cheiro e o sentido, a intensidade da mutação constante. Queria ser livre.

Sinto debaixo dos pés a areia movediça: o Mundo, assim. As ondas sem força, levam de mim o pouco que ficou de ti: o cheiro, o toque e todos os sonhos que ficaram por realizar. Na verdade, nem sei quem és. Criei-te na minha imaginação, e, transformei-te naquilo naquilo que os olhos do meu coração queriam que fosses. Não sei se correspondes a esta verdade criada e que defendo com garra. Nem sequer sei se existes...