Não vás. Não partas, agora. Não agora. Não agora, que tu pareces pretender pertencer-me, e que eu decidi, finalmente, aceitar que gosto de ti. Não vás agora. Não agora. Não, sem nos decidirmos a dar-nos uma oportunidade.
Senta-te no alto da minha cidade, acende um cigarro e procura-me com todos os teus sentidos. Traça a perna, agarra-a com uma mão, procura-me com os olhos, até me encontrares – não te desvies de mim. Dá uma baforada no cigarro, novamente. Sente o fumo a percorrer o teu corpo, a chegar aos pulmões. Expulsa-o. E, continua a procurar-me. Olha o mundo, com arrogância, intolerância, o que quiseres, mas olha-o. Sente-o. Procura-te nele. E, ao te encontrares, não desistas de me procurar. Não desistas de mim. Encontras-me, certamente, por perto. É assim que me tens encontrado, ultimamente. Pede um café, bebe-o de um trago só. Sem açúcar. Sem mexer. Sem o olhar.
Fui eu que te levei ai. Fui eu que te mostrei o topo do nosso novo mundo. Fui eu que te encaminhei para esse sítio, onde agora me procuras, porque agora sentes que te falto. Fui eu que te fiz ter vontade de ver Lisboa desse prisma. Fui eu que te conduzi até ai. Até teres vontade de me encontrares no sítio onde te levei, mesmo sem estar contigo.
Procura-me com todos os teus sentidos. Em cada rua, em cada esquina de Lisboa, me encontrarás, espírito que vagueia, cheiro que permanece, olhar que te prende. Procura-me. Faz-me sentir que me queres encontrar, realmente. E quando, finalmente, me vires, me encontrares, olha-me nos olhos. Queda-te em mim. Deixa-te ficar. Deixa-me mostrar-te que posso ser tudo o que te faz balançar entre o que já conheces e o desconhecido. Deixa-me transformar a separação em pouco, quase nada. Deixa-me mostrar-te que, de olhos nos olhos, o amor vence todas as barreiras.

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