segunda-feira, 6 de setembro de 2010

No Céu

Sinto o vento, cortante, na face e venho de mãos vazias. Sinto o mar, as pequenas ondas, duras e frias a baterem-me nos pés como se fossem rochas.
Caminho sem destino, porque o meu único destino eras tu. Nos meus olhos não há alegria, não há nada, um vazio somente. O vazio que deixaste. Levaste-me a alegria, as borboletas no estômago e o tremor nas pernas. Levaste-me os anéis, os saltos altos e o amor.
Paro, de vez em vez. A praia está deserta e para mim é inverno. Fiquei perdida no mundo e nas estações do ano, sem ti. Se faz sol, não sei. Não sinto o calor, nem a luz a ferir-me os olhos. Nada me magoa já. O meu mundo é a preto e branco, o céu e o mar tornaram-se uma amálgama de cinza, enraivecida. E são a única coisa a minha frente.
Destino. Desisto desta guerra em que se tornou a minha vida ao querer sobreviver sem ti. Afinal, ainda sinto um soluço amargo, forte, que me tira a força e me arremessa na areia. Não sei se chove, se choro, se é apenas o mar a chamar-me à razão. A verdade é que tenho os olhos inundados de água vermelha, dilacerante, que cai em bica sobre as minhas mãos. O cabelo dança ao som do vento que já nem oiço. Apeteceu-me gritar. Ranjo os dentes, ao invés, e, cerro os punhos. Fiquei sozinha no mundo sem mais nada que viva. Vou deitar-me à espera que o cansaço e o mar me vençam, me levem da escuridão e lavem as feridas. Vou fechar os olhos e alcançar-te... em sonhos, no céu.

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