Sinto que me voltei a apaixonar, e não devia. Não queria. Não quero. Não sei lidar com isto, outra vez. Não quero saber lidar com isto, de novo. Enches-me a vida, a alma, o dia, de luz, de cor. Tornaste-te no sol, na lua, nas estrelas, no mar. Tornaste-te a justificação para tudo, tornaste-te a justificação para a falta de tudo. Sinto o peito apertado quando não estás, sinto-o ainda mais apertado quando chegas. Tenho um medo terrível de falhar e um medo ainda maior de te perder.
Não sei ao certo como aconteceu, nunca sabemos. Sei que sem dar por isso, a tua companhia, o som da tua voz, o cheiro da tua pele, eram um vício.
Tocas-me a alma como quem toca em mãos. Arrancas-me sorrisos, sem justificação. Perco tempos infindáveis a admirar cada traço do teu rosto, enquanto não vês. As vezes até, enquanto dormes. Gosto de sentir o toque suave das tuas mãos, enquanto finjo dormir, e de julgá-lo eterno, mesmo quando conheço da efemeridade dos nossos momentos. Gosto de ver a transparência dos teus estados de humor. Mas não gosto de me ter voltado a apaixonar. Muito menos, de me ter apaixonado por ti.
Vou-te fazer uma pergunta indiscreta.
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