O meu coração não tem muitas assoalhadas. Na realidade, o meu coração é um T0, onde tu entras e sais, e bates com a porta, e berras, e partes vidros, cada vez que te apetece. Tornaste-o na casa que usas como te apraz, sem te preocupares comigo. Entras e sais conforme queres. Usas-me a teu jeito. Agarras-me e aqueces-me quando precisas de mim. Agarras-me e aqueces-me quando achas que me vais perder. E eu deixo. Deixo, porque enquanto vais, eu sei que voltas, sempre. Sei que abres sempre a porta com a mesma cara, com o mesmo cheiro, com o mesmo beijo. Sei que voltas sempre, sem muitas demoras. Sem sequer me deixares entender porque partiste, ou porque não me deixas partir a mim. Sem me deixares perceber o porquê de teres voltado. O porquê de voltares sempre. E o porquê de eu te esperar sempre da mesma forma e te deixar ficar, sempre.
O meu coração não tem muitas assoalhadas porque só lá moras tu e tu és a minha casa cheia, sem espaço para mais nada, sem precisar de mais nada. Tu és a minha alegria, o meu amor.
Isto é uma concretização do abstracto ou uma mera abstracção literária?
ResponderEliminar“A minha Dor é um convento ideal
ResponderEliminarCheio de claustros, sombras, arcarias,
Aonde a pedra em convulsões sombrias
Tem linhas dum requinte escultural.
(…)
Nesse triste convento aonde eu moro,
Noites e dias rezo e grito e choro,
E ninguém ouve… ninguem vê… ninguem…”