sexta-feira, 30 de setembro de 2011

O Bar Velho


Acabou. Fechou o primeiro sitio onde entrei, depois de me ter inscrito na FDL. O sitio onde, arrisco, passei mais horas, nos últimos anos. Acabou o "Olh'á tosta!". E o "há ai loiça, meninos?", também. Os alunos do Anf.1, sobretudo os do primeiro ano, não vão saber o que é estar no meio de uma aula, ouvir o sino tocar e dizer ao colega do lado "Olh'á torrada!". Aprendi o que era o trespasse e a insolvência com exemplos baseados no "Bar da Dna Ema". O Bar Velho já não vai ser o NOSSO bar velho. A nossa segunda casa. Sinto-me despejada. Eu, e, todos os outros. Mandaram-nos para a rua de malas na mão e empilharam as cadeiras. As cadeiras mais confortáveis de toda a faculdade. As mesas foram arremessadas para um canto, e, um dos poucos sítios onde ainda havia vida, no meio do caos em que se transformou o início deste ano lectivo, fechou a porta e deixou-nos do lado de fora. Muitas ideias se formaram aqui, aqui se aprendeu muito e discutiu, aqui se criaram muitos projectos, mas, sobretudo, muitas amizades. Parece um exagero demonstrar tanta tristeza porque o local que frequentávamos, todos os dias, fechou, temporariamente, e mudou de gerência. Seria exagero, não fosse esta a nossa casa, não encontrássemos nós conforto nas palavras de quem estava atrás do balcão, e que depressa passava para o lado de cá para nos dar um abraço, quando mais precisávamos. Seria exagero, se não fosse aquele o sitio que, muitas vezes, escolhemos para desabafar, para desanuviar, para ficar só a observar... Seria um exagero, se não tivéssemos um carinho muito especial por todos os que trabalhavam no BVelho, pelo próprio BVelho.
O Bvelho, como o conhecemos, e como o viveram todos os que lá passaram antes de nós, fechou. Chorámos, bebemos e brindámos à vida e ao futuro. E quando o BVelho reabrir, já não vai ser o nosso BVelho.
Lamento não conseguir descrever tudo o que me vai no peito e na cabeça. Lamento que não se possa saber, sem sentir, o que é ter um sentimento de pertença àquele sitio. Lamento que as palavras fiquem aquém de cada lágrima que, hoje, se derramou e de cada gota de álcool que se ingeriu. Lamento que não se consiga exprimir de forma alguma o que significou cada último abraço. Se ser finalista custa, só por si, despedirmo-nos do Bar Velho, assim que começamos o último ano, devia ser considerado um atentado à vida de qualquer estudante da FDL!

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