segunda-feira, 12 de setembro de 2011

A última vez

Sempre que ias, tinha a sensação que era para sempre. Sentia que me ias escapar por entre os dedos indiferente ao esforço que fazia para te manter comigo. Indiferente a tudo o que te dava, em troca de nada. Um nada que me enchia os dias e a vida, de tudo. Sempre que fechavas a porta, pensava que era a última vez que ouvia o som da tua voz a chamar-me... Pensava que era a última vez que te ia ter a caminhar pelos corredores, com ar abandonado, a espalhares o teu perfume, que tantas vezes se tornou no meu. Mas cada uma dessas vezes, nunca foi a última. Porque tu não deixavas. Porque tu não me deixavas. Porque tu ias, mas nunca tencionaste ir. De vez. Ias porque sabias que quando corresse mal, eu ia cá estar. Dia após dia. Até à tua próxima aventura. E eu, incompreensivelmente, vivia nesta indecisão em que tornaste a minha vida, desde o primeiro dia... Vivia a segurar a ponta da linha que levavas quando ias, a linha que depois te fazia saber o caminho de volta e que te assegurava de que não desaparecia.
Hoje fechaste a porta, de novo, rejeitaste as chamadas, não respondeste as mensagens, levaste a mala e os livros. E não ficou nada que ateste a tua passagem na minha vida... Nem mesmo o meu coração. Desta vez não fechaste a porta. Deixaste-a entreaberta, para me fazeres crer que vais voltar, e desapareceste na noite. Desta vez não ficou qualquer linha, não ficou qualquer palavra, não ficou nenhuma lágrima. Desta vez, nem sequer fiquei eu à tua espera. Alguma vez tinha de ser a última.

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